A grande maioria dos investidores (80%) em fase inicial em startups mostra-se otimista com as perspetivas de evolução no ecossistema e mais de metade acredita que vai haver mais exits este ano, aponta os dados do mais recente Barómetro Investors Portugal, a que o ECO teve acesso.
“É animador ver o sentimento dos investidores em early stage, iniciando o novo ano com um otimismo renovado. A verdade é que, comparativamente ao início de 2025, temos perspetivas mais positivas, com subidas importantes em todos os indicadores de investimento que avaliamos”, comenta Lurdes Gramaxo, presidente da Investors Portugal, ao ECO. “Ao nível da componente do investimento verificamos uma subida de 66% para 80%, face ao ano anterior, um crescimento da confiança tanto em número de novos investimentos como ao nível do capital investido”, refere.
“Nas perspetivas de exit [vendas de participações], esse otimismo é ainda mais significativo tendo-se verificado uma inversão do sentimento global dos investidores passando de mais 50% estarem pessimistas no 1.º semestre de 2025 para mais de 60% estarem otimistas neste ano. Um salto muito significativo e que esperamos se possa consolidar e confirmar ao longo de 2026″, destaca ainda. Em quatro anos de realização deste barómetro “é a primeira vez em que registamos um sentimento otimista neste parâmetro logo no 1.º semestre do ano”, realça a presidente da associação.
A maior disponibilidade de capital está relaciona ainda com as sucessivas calls do Banco Português do Fomento, os Fundos SIFIDE e um maior acesso dos fundos portugueses a capital institucional espanhol — neste caso, com a contrapartida de obrigar a um maior investimento no país vizinho.
Lurdes Gramaxo
Presidente da Investors Portugal
Um conjunto de fatores explica esta visão otimista. “Este sentimento positivo advém de um 2.º semestre de grande atividade, onde foram anunciados vários levantamentos de novos fundos de gestoras nacionais e durante o qual a atividade de investimento no setor esteve a bom nível”, elenca Lurdes Gramaxo, socorrendo-se de dados da Startup Portugal/DealRoom que apontam que “o investimento total em 2025 foi o mais elevado dos últimos três anos, atingindo os 479 milhões de euros”.
“A maior disponibilidade de capital está relaciona ainda com as sucessivas calls do Banco Português do Fomento, os Fundos SIFIDE e um maior acesso dos fundos portugueses a capital institucional espanhol — neste caso, com a contrapartida de obrigar a um maior investimento no país vizinho”, justifica. “Havendo capital disponível para investir e mantendo-se a disponibilidade de startups de boa qualidade para investir, como tem sido o caso, é natural que se mantenha uma avaliação positiva do mercado”, conclui.
Mas ainda é cedo para confirmar se o sentimento se irá manter ao longo do ano. “Será cedo para fazer grandes considerações sobre a evolução das operações, mas, até ao momento, as notícias que vão chegando sobre novas rondas seguem todas num sentido positivo para o ecossistema”, ressalva a presidente da Investors Portugal.
Papel do setor público no ecossistema com avaliação negativa
A maioria dos investidores (68%) avalia como negativa a evolução do papel da política pública neste setor, num agravamento de 13 pontos percentuais face ao semestre anterior, aponta o Barómetro.
“Estas críticas não são novidade — aliás, é recorrente, em Portugal, um sentimento negativo sobre a avaliação da consistência e da eficácia das políticas públicas no setor. Desde que iniciamos este Barómetro para auscultar o sentimento dos investidores que verificamos como as medidas e ações são insuficientes”, reconhece Lurdes Gramaxo.
Dos contactos que temos tido na Investors Portugal, tudo indica que haverá novidades para o segundo semestre de 2026 [sobre o fundo de fundos]. Aguardamos com muita expectativa pelas novidades e estamos, como sempre, totalmente abertos para colaborar com os decisores públicos sobre o desenho deste instrumento fundamental para o crescimento do setor.
Lurdes Gramaxo
Presidente da Investors Portugal
“Este sentimento negativo advém, em grande medida, da falta de estabilidade e previsibilidade ao nível legal, regulatório e processual. Vemos criar sucessivos entraves no ecossistema, quando, na realidade, o oposto é precisamente o que se pretende se quisermos continuar a fomentar o crescimento do cenário de investimentos”, diz. E dá um exemplo. “O fim abrupto do SIFIDE indireto, com base em pressupostos sem aderência à realidade e sem qualquer sistema de incentivos em sua substituição, veio reforçar esta perceção negativa das políticas públicas”, aponta.
“É um alerta verificarmos como as políticas públicas continuam a ser fator de preocupação e sentimentos menos otimistas entre os investidores em early stage. Enquanto associação que os representa, a Investors Portugal vai continuar a incentivar os poderes políticos a definirem medidas que contribuam de forma eficaz para o desenvolvimento do setor, fazendo ecoar mais longe as vozes que querem construir um ecossistema mais resiliente, diferenciado e diferenciador”, diz.
O setor aguarda o arranque de um fundo de fundos do Banco Fomento Português. No ano passado, o ministro da Economia prometia que iria acontecer em “breve” apontando para 2026 novidades. “Dos contactos que temos tido na Investors Portugal, tudo indica que haverá novidades para o segundo semestre de 2026. Aguardamos com muita expectativa pelas novidades e estamos, como sempre, totalmente abertos para colaborar com os decisores públicos sobre o desenho deste instrumento fundamental para o crescimento do setor.”
in ECO Ana Marcela 24 Fevereiro 2026
https://eco.sapo.pt/2026/02/24/investidores-de-startups-em-fase-inicial-esperam-mais-exits-este-ano/